3 de dezembro de 2010
Infância
Éramos pequenos, sem muito conhecimento, mas ao mesmo tempo tão cheios de vida. Acreditávamos em papai noel, coelhinho da páscoa e até na fada dos dentes. Éramos pequenos, pequenos ingênuos. Caíamos, chorávamos ou riamos, éramos imprevisíveis. A nossa diversão, era ir ao circo, subir em uma árvore, ou simplesmente brincar de faz-de-conta. Tínhamos tantos sonhos, tantos desejos e ao mesmo tempo não ligávamos para nada. Tínhamos ambições, claro, queríamos com certeza voar para a lua, ou conhecer o papai noel e os duendes em sua casa, no pólo norte. Coitados de nós, éramos fúteis, mas tão felizes. E quando achávamos que escrever nosso nome, ou pintar dentro do contorno era difícil? Tínhamos vontade de jogar tudo para o ar, e sair correndo, pelados. Ríamos por qualquer coisa, coisas insignificantes, coisas gigantes. Éramos levados, aprontávamos, rabiscávamos a parede inteira, mas alguém sempre nos defendia, alegando que éramos pequenos. Nossa vida era tão pequena, mas tão bem vivida. Corríamos, exaustos, por uma tarde bem gostosa. Não sabíamos de nada, e ao mesmo tempo, sabíamos de tudo. Tudo que precisávamos saber, claro. Como, que em todo fim do ano, no natal, ganharíamos presentes e mimos, e na páscoa, chocolate. Sabíamos também, que nosso choro fingido, berros agudos ou ‘lágrimas de crocodilo’, funcionariam sempre para conseguir algo desejado. E sabe aquele chocolate, ganhado na páscoa, citado há pouco tempo? Então, a nossa maior diversão era a de comê-lo depois do banho, lambuzar o rosto inteiro, e sair correndo, gargalhando, para logo após ser repreendido, armar o biquinho, e se fingir de magoado. Tínhamos boas histórias para contar, apesar de não sabermos nenhuma, sempre pegávamos nossos livros de historinhas, com o famoso ‘eu sei ler’ e contávamos um conto, completamente diferente do original, improvisado, claro, por nós. Tudo de antigamente, hoje, enterrado. Éramos tão iguais. E hoje, tão diferentes.
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