14 de abril de 2011
Sabor da Liberdade
Suas asas já tinham força suficiente para sustentar o próprio corpo por alguns minutos. Saiu do ninho com um voo raso. A barriga quase tocava o chão, mas ele não caía, já sabia aterrissar. Passinhos, impulso, abria as asas e planava até o chão. Agora já poderia até encontrar comida sozinho. Nada de esperar naquele novelo de ramos espremido entre duas telhas. Bastava abrir as asas. Mesmo sendo pouco minutos, era extasiante. Um dia conseguiria voar alto e por muito tempo. O vento em seu bico fazia daqueles minutinhos longas horas. Era o gosto da liberdade passeando entre suas penas. Sabor que fez compensar todos os esforços do aprendizado, todas as quedas. Parecia até um sonho. Mas o céu não é para todos. Os cães não têm asas e invejam os bichos que voam. Bastou pousar no lugar errado para nunca mais levantar. Sentiu o hálito da raiva, se debateu para fugir, mas foi encurralado. o que poderia fazer? Ele era apenas um pássaro. Gritou e como mágica os cães se afastaram. Ouviram o seu chamado? Um toque morno e suave como as penas de sua mãe, um carinho na cabeça, um sopro. Sentiu todo o medo indo embora, o perigo passou. Cinco laços pulsantes em um aconchego semelhante ao do ninho. As asinhas de um humano? Bobagem, humanos não voam. Acalmou-se e fechou os olhos deixando naquele abraço o sabor vermelho da liberdade.
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